terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PRIMAVERA - Elemento Madeira


A Primavera é um novo começo.
É a época do ano para "levantar cedo, com o sol ou com as galinhas".
Como nos recorda a Medicina Interna Clássica, este é um acto de aspecto yang, que reflecte a natureza ascendente e activa da Primavera. Não podemos deixar de observar que a vida das plantas vai emergindo à superfície, depois de um período de "hibernação".

A observação da cor verde das plantas jovens delicadas alimenta a alma através dos olhos, e por isso, o apetite diminui e o corpo "limpa-se" naturalmente a si mesmo - não somente os resíduos dos alimentos, mas também o desejo excessivo e as emoções acompanhadas de insatisfação, impaciência e ira.
O ver torna-se mais claro. As coisas são vistas de uma nova forma.
Esta é uma época para entrar em contacto com a nossa verdadeira natureza e de estar conscientes de nós mesmos e da nossa liberdade expressiva.

O Livro do Imperador Amarelo - Huang Di Nei Jing - define as relações vitais que descrevem a Primavera:

"As forças sobrenaturais da Primavera criam Vento no Céu e Madeira sobre a Terra. No interior do corpo criam-se o Fígado e os tendões; cria-se a cor verde...e dá-se à voz a capacidade de gritar... criam-se os olhos, o sabor ácido e a emoção ira (versus coragem)."


Adaptado de "Sanando com Alimentos Integrais", Paul Pitchford


Artigos Relacionados:

RINITE ALÉRGICA

HUANG DI NEI JING - O Livro do Imperador Amarelo

ADAPTANDO-SE ÀS ESTAÇÕES





segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

GALO DE FOGO - Feliz Ano Novo Chinês


A cultura Ocidental acredita sobretudo nos 12 signos do Zodíaco regidos pelo Sol - ciclo solar. Mas existem outras crenças (ou evidências) astrológicas. 
A China, por exemplo, tem o seu Horóscopo, regido pela Lua - ciclo lunar. Isto faz com que o 1º dia de cada novo ano seja diferente todos os anos, de acordo com o movimento da Lua.
Existem 12 animais associados ao calendário chinês que respeitam uma ordem cíclica, na qual o Galo se encontra em 10ª posição. Cada animal associa-se (também de forma cíclica) a cada um dos 5 elementos - Fogo, Terra, Metal, Água e Madeira -, sendo que cada elemento modifica as características desse ano.

2016-2017

Durante 2016 houve charme, ambição e reconhecimento. Tivemos muita aventura e esperteza ao longo dos últimos 12 meses. 
Porém, o ano do Macaco de Fogo terminou. 
Agora um novo ciclo se inicia. O do Galo de Fogo!

O que significa o ano do Galo de Fogo?

O ano novo chinês começou a 28 de Janeiro de 2017 e terminará a 15 de Fevereiro de 2018, e o seu animal regente é o Galo de Fogo. 

Segundo a lenda de Buda, que dá inicio ao Horóscopo Chinês, o Galo está destinado a ser o guardião de 2017. Por esta razão, é esperado que este novo ano seja repleto de CORAGEM, HONESTIDADE, AMBIÇÃO, que são as características mais fortes deste animal.

2017 pertence ao elemento Fogo, pelo que, tal como no ano anterior, AMBIÇÃO, CHARME e RECONHECIMENTO mantêm-se como características que nos irão influenciar muito. Por isso, novas ideias e oportunidades cruzarão o nosso caminho frequentemente, durante os próximos 12 meses. A responsabilidade, de as aproveitarmos da melhor forma, será nossa.

Horóscopo Chinês - Características de 2017

Este novo ano será repleto de acções inovadoras. 
A presença de Galo de Fogo irá trazer uma energia destemida que ajudará a não temer a mudança. 
Será o ano de escolhas decisivas.

O Galo tem a característica de ser IMPULSIVO, o que pode originar decisões precipitadas. Reflectir bem antes de fazer escolhas, conversar com familiares e amigos sobre as novas ideias e propostas que se avizinham será uma ajuda imprescindível. Ajudará a escolhas mais conscientes.
Será um período de muita CRIATIVIDADE, IMAGINAÇÃO e VIDA SOCIAL AGITADA. Prepare-se para diversos convites para festas, encontros e espectáculos. 






segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CONFUCIONISMO E MEDICINA CHINESA


A escola de pensamento Confucionista foi fundada por Kongzi (Confúcio) (551-479 a.C.) no final  da dinastia do Período da Primavera e Outono (770-476 a.C.).
Em 134 a.C., um estudante confucionista Dong Zhongshu (179-104 a.C.) convenceu o imperador Han Wudi (que reinou entre 140-87 a.C.) da dinastia Han Ocidental a elevar o Confucionismo à posição de ideologia oficial do estado.
O pensamento Confucionista torna-se então a filosofia dominante na China por um longo período de tempo, exercendo um influência profunda na vida social e na cultura tradicional chinesa.

O Confucionismo e a Medicina Tradicional Chinesa estão intrinsecamente conectados. Ocupando a sua posição no coração da cultura chinesa, o Confucionismo influencia cada aspecto da MTC, sobretudo no que respeita a valores médicos e éticos.

1. MTC e o Conceito Confucionista de Benevolência Ren


Um dos principais pilares do Confucionismo é o conceito de Ren (Benevolência). 
O conceito de Benevolência ocupa o centro na cultura Confucionista, e o seu grande valor mantém-se até aos dias de hoje.

O significado essencial de Benevolência é amar os outros. Em primeiro lugar, as pessoas amam a sua própria família, e só depois expandem o seu amor, tendo como alvo o resto do mundo.
Benevolência significa criar empatia, ser gentil, bondoso, amável, ampliando o conceito de família, para nela incluir toda a humanidade. Esta atitude revela a existência de auto-conhecimento (self-awareness) e de um entendimento da natureza humana, assim como um profundo espírito de humanitarismo.
A essência do amor benevolente é o reconhecimento do intrínseco valor dos outros (de todos), e a capacidade de ver que "eles" não são realmente diferentes de "nós".


Os antigos sábios chineses acreditavam que o contínuo processo de cura (à responsabilidade daqueles que o praticam) é uma expressão de Ren (Benevolência). A visão confucionista de Benevolência dá ênfase à cultivação no sentido de harmonizar o indivíduo e regular o estado. Do mesmo modo, a Medicina Tradicional Chinesa enfatiza o tratamento da doença de forma a harmonizar o corpo e salvar vidas.

"O médico medíocre cura a doença, o médico mediano cura pessoas; o médico superior cura o estado". 

Esta afirmação realça a importância da saúde individual e social, o que faz com que o Confucionismo e a Medicina Tradicional Chinesa partilhem os mesmos valores. 
A MTC atribuí extrema importância à ética pessoal e profissional assente em princípios Confucionistas.

Somente pessoas da mais elevada integridade e habilidade eram consideradas qualificadas para praticar medicina. 


Médicos que seguiam filosofia de Confúcio
  • Hua Tuo (? - 208 d.C.) foi um eminente médico Confucionista da dinastia Han Oriental, conhecido como o Divino Médico.

  • Sun Simiao (581-682 d.C.), conhecido como o Sábio da Farmácia, foi um médico eminente que viveu durante a dinastia Tang (618-907 d.C.). Na sua enciclopédia Bei Ji Qianjin Yaofang (Prescrições para Emergências que Valem Mil Peças de Ouro), Su Simiao descreve a estreita correspondência entre a ética médica em MTC e o conceito Confucionista de amor Benevolente.


  • Zhang Zhongjing (150-219 d.C.) foi um eminente médico que viveu no final da dinastia Han Oriental, numa época em que guerra e caos se prolongaram. Confrontado com o aparecimento descontrolado de muitas doenças, de causas variadas e acompanhadas de uma miséria nunca antes vista, Zhang Zhongjing dedicou-se à compilação e redefinição de todo o conhecimento médico que até então existia. O seu trabalho de prática clínica em MTC, Shang Han Zabing Lun (Tratado pelo ataque de Frio e Diversas Patologias) é considerado um dos clássicos de MTC.

  • Li Shizhen (1518-1593 d.C.), um famoso estudante de medicina da dinastia Ming, reconheceu a existência de fórmulas fitoterapêuticas que continham numerosos erros potencialmente fatais. Determinado a rectificar esta situação, passou 30 anos recolhendo incansavelmente material de toda a China, extraindo conteúdos de mais de 800 textos especializados. O resultado deste árduo trabalho originou o clássico enciclopédico de medicina herbal Bencao Gangmu (Compêndio de Matéria Médica), considerado uma obra de valor benéfico incalculável para a Humanidade. 







quarta-feira, 2 de novembro de 2016

TERAPIA COM VENTOSAS


A Terapia com Ventosas (cupping) é uma antigo método terapêutico - que se fundamenta de acordo com os princípios de Medicina Tradicional Chinesa - no qual o terapeuta coloca uma espécie de copos na superfície da pele durante alguns minutos, criando um efeito de sucção. As ventosas permanecem no corpo durante um período de tempo entre 3 a 10 minutos.
Este método é realizado por diversos propósitos: aliviar dor, tratar inflamação, melhorar circulação sanguínea, promover relaxamento e bem-estar e como um tipo de massagem que actua em tecidos mais profundos.

De que materiais são feitas as Ventosas?
- Vidro;
- Bambo;
- Terracota;
- Plástico;
- Silicone.

A Terapia com Ventosas parece estar agora na moda ou ser um método inovador, mas na verdade é bem antigo. Basta recuarmos a uma ou duas gerações, para se saber que até há bem pouco tempo, os médicos (mesmo no Ocidente) prescreviam o tratamento com ventosas, que seria feito em casa, pelos próprios pacientes. Não será invulgar encontrarmos uns copos de vidro, à partida estranhos, em casa dos nossos avós. 


Pois bem, os primeiros registos desta antiga prática remontam às antigas civilizações Egípcia, Chinesa e do Médio Oriente. Um dos mais antigos textos médicos do mundo, o Ebers Papyrus, descreve como os antigos Egípcios utilizavam a Terapia com Ventosas em 1550 a.C.

Tipos de Terapia com Ventosas

Existem diferentes métodos que se podem agrupar numa de duas categorias: 
- método seco (dry) ou método húmido (wet).

Em qualquer um dos métodos, o terapeuta introduz na ventosa uma substância inflamável tal como álcool, ervas ou papel e ateia-lhe fogo. Logo, de imediato, a ventosa é colocada no corpo do paciente, ficando a abertura da ventosa em contacto com a pele. Assim que o ar no interior da ventosa arrefece, cria-se o vácuo. Isto faz com que a pele suba e se torne avermelhada enquanto os vasos sanguíneos desse local se expandem. A ventosa permanece no local durante pelo menos 3 minutos. 

Uma versão mais moderna desta terapia, utiliza uma bomba de borracha em vez do fogo para criar efeito de vácuo no interior da ventosa. Por vezes, utilizam-se ventosas de plástico ou silicone, as quais se podem mover na pele, de um lado para o outro, assemelhando-se a um efeito de massagem.

No método húmido, cria-se uma ligeira sucção durante 3 minutos. Depois, o terapeuta remove a ventosa e utiliza um pequeno bisturi fazendo leves e minúsculos cortes na superfície da pele. De seguida, o terapeuta coloca novamente a ventosa, no mesmo local, extraindo uma pequena quantidade de sangue.


Numa primeira sessão, poderão ser colocadas entre 3 a 5 ventosas. Ou o paciente poderá optar por experimentar apenas uma e sentir o seu efeito. Normalmente, e numa única sessão, são colocadas entre 5 a 7 ventosas. Ao terminar, o terapeuta utiliza um algodão embebido numa solução dérmica, anti-séptica e bactericida, para prevenir infecções. A pele do paciente voltará a ter o seu aspecto normal ao fim de 10 dias (no máximo).

O método húmido com ventosas parece remover substâncias prejudiciais e toxinas do corpo e promover o processo curativo.

Alguns pacientes são tratados com o método de agulha (needle cupping), no qual o terapeuta insere, em primeiro lugar, agulhas de acupunctura e depois coloca as ventosas por cima (permanecendo a agulha no seu interior).

Na China, a Terapia com Ventosas é preferencialmente utilizada em condições tais como:
- bronquite, asma e congestão nasal;
- desordens gastrointestinais;
- certos tipos de dor;
- depressão;
- redução de edema/inchaço localizado.
Frequentemente, as ventosas são colocadas no pescoço, ombros, costas e abdómen; nos membros superiores e inferiores com menor frequência.


Resultados demonstrados pela Investigação Científica

No que diz respeito a Terapia com Ventosas, a investigação não é muito extensa, no entanto é possível encontrar publicações relativas aos seus efeitos:

- Um relatório publicado no ano 2015, em The Journal of Traditional Chinese and Complementary Medicine, refere que este tratamento pode ajudar nas condições de 
acne, herpes zoster e no controlo da dor;

- Outro relatório, este de 2012, publicado em PLoS One, investigadores australianos e chineses fizeram uma revisão a 135 estudos sobre Terapia com Ventosas. Eles concluíram que este método é efectivo especialmente quando o paciente recorre simultaneamente a outros tratamentos, tais como acupunctura ou fitoterapia, para várias condições, tais como:

  • Herpes zoster;
  • Acne;
  • Paralisia facial;
  • Espondilose cervical (problema causado pelo desgaste dos discos da coluna vertebral que leva a uma diminuição do espaço entre as vértebras cervicais, neste caso);


- A British Cupping Society diz que a Terapia com Ventosas utiliza-se no tratamento de:

  • Desordens do sangue, tais como anemia e hemofilia;
  • Doenças reumáticas como artrite e fibromialgia;
  • Fertilidade e desordens ginecológicas;
  • Problemas de pele como eczema e acne;
  • Hipertensão arterial;
  • Enxaquecas;
  • Ansiedade e depressão;
  • Congestão brônquica causada por alergias e asma;
  • Veias varicosas.

Efeitos Secundários
A Terapia com Ventosas é bastante segura, desde que realizada por um profissional de saúde qualificado. É natural que, nos locais onde as ventosas são colocadas na pele, o paciente tenha sensação de pele dorida, hematomas, pele avermelhada ou arroxeada. Como referido anteriormente, a pele do paciente voltará a ter o seu aspecto normal ao fim de 10 dias (no máximo).


Contra-indicações

Apesar dos seus inúmeros benefícios, a Terapia com Ventosas não deverá ser aplicada nas seguintes situações:

  • pele inflamada por lesões cutâneas;
  • febre alta ou convulsões;
  • pacientes com problemas hemorrágicos;
  • grávidas, no abdómen ou zona lombar;
  • se é utilizado o método de deslizamento de ventosas, estas não devem cruzar zonas onde os ossos são mais proeminentes, como zona da coluna vertebral ou o zona das omoplatas.


Adaptado de:

Cupping Therapy, David Kiefer, MD, Agosto 2016, WebMD Medical Reference

Cupping, Acupuncture Today




segunda-feira, 31 de outubro de 2016

TUINA - Massagem Chinesa



História da Tuina

Esta técnica terapêutica remonta à dinastia Shang da China, a 1700 a.C. Começou por ser utilizada para tratar patologias nas crianças e transtornos digestivos nos adultos.

No ano 600 a.C. a Tuina foi incluída na Universidade Médica Imperial como um departamento específico e floresceu em toda a China até à dinastia Qing, época na qual foi suprimida junto a outras práticas da cultura chinesa. Com a revolução comunista, a Tuina foi restituída, juntamente com outras tradições médicas do actual sistema de Universidades de Medicina Tradicional Chinesa.

O corpo humano existe como um sistema circulatório com energia própria. Factores patogénicos externos afectam esta energia (diminuindo-a, exacerbando-a ou bloqueando-a), ficando a sua circulação comprometida, ocorrendo a condição de doença.


A TUINA - Massagem Chinesa - consiste num sistema terapêutico orientado pelos fundamentos teóricos da Medicina Tradicional Chinesa. Utiliza manipulações para estimular pontos específicos ou outras partes do corpo com a finalidade de restabelecer o equilíbrio energético e fisiológico e consequentes efeitos curativos.
Esta técnica inclui o uso das mãos para massajar tecido mole (músculos e tendões), técnicas de pressão que afectam directamente o fluxo de Qi e técnicas de manipulação para reestruturar as relações músculo-esqueléticas e ligamentosas. Para aumentar o benefício terapêutico utilizam-se, por vezes, emplastros à base de ervas medicinais ou bálsamos.

Que problemas trata a Tuina?
- Dores e patologias nas articulações;
- Contracturas musculares;
- Transtornos articulares e nevralgias;
- Patologias internas.

Como é uma sessão típica de Tuina?
O paciente, usando roupa ligeira e descalço, deita-se numa marquesa ou cadeira de massagem. O terapeuta examina os problemas específicos do paciente e dá início ao tratamento, aplicando técnicas pertinentes. Os principais focos de atenção são as zonas mais dolorosas, pontos de acupunctura e/ou meridianos energéticos, músculos e articulações. As sessões podem durar entre 30 a 60 minutos. Geralmente, o paciente sente-se não só relaxado, mas também revitalizado imediatamente após o tratamento.

Benefícios, limitações e contra-indicações
A Tuina é benéfica no tratamento de transtornos músculo-esqueléticos específicos e transtornos do sistema digestivo, respiratório ou imunitário débeis e ainda em situações de stress crónico.

Não é indicada para pessoas que procuram uma massagem sedante e relaxante (no imediato). Não deve ser utilizada quando existem fracturas, flebites, patologias infecciosas, feridas abertas e lesões.






quinta-feira, 20 de outubro de 2016

GRAVIDEZ - POSIÇÃO ANORMAL DO FETO


Uma posição anormal é aquela em que o feto ocupa mais espaço enquanto se desloca pelo canal de parto do que quando se encontra em posição normal.


As posições podálica (as nádegas do feto apresentam-se primeiro, no canal de parto), transversal horizontalmente (os ombros de feto apresentam-se em primeiro lugar no canal de parto) ou de face ou de vértice consideram-se posições anormais do feto. Quando estas se verificam podem ocorrer dificuldades no parto - dificuldade na expulsão do bebé, cordão umbilical comprimido, falta de oxigénio, lesões nervosas, possibilidade de morte da criança.
Muitos médicos recomendam/optam por isso, a realização de cesarianas, nestes casos.

Posição Correcta
A posição mais segura e frequente é a do feto que olha para trás (em direcção às costas da mãe), com a cara voltada para a direita ou para a esquerda e a cabeça está em primeiro (posição cefálica), seguida do pescoço dobrado para a frente, o queixo encolhido e os braços cruzados sobre o peito.


Se o feto se encontrar numa posição ou apresentação diferente, o parto pode ser mais difícil e talvez não seja possível a expulsão pela vagina.

Em Medicina Chinesa

Do ponto de vista da mãe, o crescimento do feto no seu útero, faz gradualmente aumentar as suas limitações em termos de movimento, energia e conforto.
Por outras palavras, é uma grande "massa" Yin (matéria), que cresce constantemente durante nove meses, no seu interior.
O corpo da mãe, particularmente o seu Qi (energia) dos Rins, o seu Jing (essência) e Xue (sangue) dirigem-se para a formação do bebé. 


Normalmente, o bebé apresenta-se de cabeça para baixo, da forma correcta, e percorre o canal de parto no momento certo.
No entanto, todo este Yin necessitará de Yang para ocorrer - o Yang da mãe - que (não surpreendentemente) se sente cansada no final da gravidez (está no limite da sua resistência, sentindo um grande desgaste).
Eventualmente, o feto (a "massa" Yin) inicia a mover-se, primeiro ajustando o seu corpo e depois rodando-o para a posição conveniente - ou seja, a "massa" Yin torna-se mais Yang (move-se).
Mas se essa "massa" Yin falha em desenvolver qualidades Yang, o movimento (ou rotação) necessário para o correcto posicionamento do feto, não acontecerá.

À luz da teoria Yin/Yang, quando Yin atinge o seu máximo transforma-se no seu oposto, Yang, e vice-versa. 

Em acupunctura, o ponto - 67 da Bexiga -  indicado para corrigir a postura fetal encontra-se no final do meridiano da Bexiga (é o último ponto deste meridiano), localiza-se no lado externo do pequeno dedo do pé e tem o nome de Zhiyin, que pode ser traduzido como "Alcançando o Yin" ou "Extremidade do Yin".
O objectivo será utilizar este ponto preferencialmente com Moxabustão (energia Yang), estimulando o movimento natural do feto ("massa" Yin).






Idealmente, a partir das 34 semanas (verificam-se melhores resultados), se existe posicionamento anormal do feto, deve iniciar-se o tratamento utilizando moxa neste ponto, bilateralmente.
O procedimento poderá ser demonstrado aos pais de modo a que estes também o possam realizar em casa (aconselham-se 2 a 3 tratamentos por dia).
Este método é tido como muito seguro. Ainda assim, se a mãe se sentir insegura, ansiosa ou cansada deverá recorrer a um especialista de Medicina Chinesa.

O número de sessões é variável - entre 3 a 7 tratamentos.
Deve verificar-se o posicionamento do feto de 3 em 3 dias (check-up realizado pelo médico obstetra que acompanha a gestante).
O tratamento deverá ser dado por terminado assim que se confirmar que o feto conseguiu mover-se para a posição conveniente.



Recomenda-se a leitura dos artigos:
MOXABUSTÃO
O DIAGNÓSTICO EM MTC
ENTENDER A MEDICINA CHINESA



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OUTONO - Elemento Metal


O Outono é a estação na qual os dias quentes de Verão se tornam gradualmente mais curtos, as folhas começam a sua transformação presenteando-nos com as suas maravilhosas cores, antes de caírem das árvores, preparando-se para o Inverno. Há um frio no ar que nos indica que devemos pôr de parte as roupas frescas de Verão e vestir aquelas que nos aquecem, que se adequam ao frio quem vem chegando.

Toda a essência da Natureza se contrai e se dirige para o interior e de forma descendente. As folhas e as frutas caem, as sementes secam, a seiva dirige-se para as raízes das árvores, onde se aprofunda no solo. As planícies começam a perder o seu verde vivo, transformando-se em tonalidades amarelas, avermelhadas ou castanhas, e iniciam a secar-se.


O Outono é a estação da colheita, uma época para agrupar, recolher e juntar todas as nossas partes, a todos os níveis para nos focarmos no nosso interior.
Um tempo para escolher alimentos de cores vivas que crescem nesta altura do ano, como as abóboras (de vários tipos)!


Esta é a época do ano em que deixamos ir as atitudes mais descontraídas e despreocupadas do Verão e centramos a nossa energia em atitudes mais sérias e introspectivas, associadas ao Outono.

Em Medicina Chinesa, o Outono relaciona-se com o elemento Metal e com o órgão Pulmão. 
Esta estação do ano governa a organização e a definição de limites - passamos de uma natureza exterior e expansiva do Verão, para uma natureza interna e contractiva do Outono.  

É uma excelente ideia terminar projectos iniciados na Primavera e/ou Verão e desfrutar agora de todo o árduo trabalho!
É também um óptimo momento para iniciar projectos que se foquem mais no interno - cultivando corpo e mente - promovendo a introspecção.

A energia do Pulmão é "deixar ir", pelo que o Outono é um belo tempo para,  estar atento, ser consciente e "deixar ir" algo a que tem estado "preso" e, desta forma, criar um espaço para novas experiências que nos ajudarão a aprender e crescer.


"(...) O quadrante Oeste produz secura
Secura produz metal
Metal produz picante
Picante produz o Pulmão
Pulmão produz a pele
Pele e pêlos produzem os Rins
O Pulmão governa o nariz

No Céu, é a secura
Na Terra, é o metal
Das partes do corpo, é a pele e os pêlos
Dos órgãos zang, é o Pulmão
Das cores, é o branco
De notas musicais, é a segunda nota shang
Dos sons, é o soluçar
Das reacções à mudança, é a tosse
Dos orifícios, é o nariz
Dos sabores, é o picante

Das expressões de vontade, é o pesar

O pesar prejudica o Pulmão

Altivez sobrepõem-se o pesar
Calor prejudicam pele e pêlos
Frio prevalece sobre o calor
Picante prejudica pele e pêlos
Amargo prevalece sobre o picante (...)"

Huang Di Nei Jing, Su Wen, Capítulo 5, O Grande Tratado acerca da Correspondência dos Fenómenos e Yin/Yang.




Adaptado de Wu Xing, The Five Elements in Chinese Classical Texts, Elisabeth Rochat de La Valée
Sannado con Alimentos Integrales, Paul Pitchford